Quando a tecnologia não está a favor das crianças

Quando a tecnologia não está a favor das crianças

Cada vez mais os pequenos estão envolvidos com recursos que
podem interferir diretamente na qualidade de vida deles
  


Por Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

Isolados, cabisbaixos e até depressivos. Estes são comportamentos comuns entre as crianças e adolescentes do século XXI, em especial àquelas que estão expostas ao uso abusivo de tecnologias – seja pelo uso de celulares, tablets, computadores, games e aplicativos. O problema não está em usar, mas na falta de limites e dependência ocasionada por esses recursos. Muitos pais justificam a liberação como proposta de segurança e até controle sobre o que os filhos fazem no meio cibernético. Mas será que, de fato, estamos protegendo nossas crianças ou ajudando-as a viverem em um mundo sem estímulos reais e socialização?  No texto de hoje falarei sobre os riscos do uso abusivo da tecnologia no dia a dia da criança.


Pontos negativos do uso excessivo de tecnologia:
A tecnologia pode viciar e ainda causar transtornos de comportamento que necessitam de ajuda profissional, inclusive, pode ser mais prejudicial para as crianças do que para os adultos, uma vez que elas ainda estão em formação intelectual, de comportamento, socialização e até para a saúde. Muitas crianças preferem dedicar horas na frente de computadores e TV jogando games ao invés de sair e brincar no quintal, por exemplo. Tenho relatos de colegas ortopedistas sobre crianças com problemas de coluna e musculares por conta da posição em que ficam quando usam tablets e celulares. A cabeça inclinada para baixo, as costas sem apoio ou posicionada de maneira errada contribuem para a má formação e até problemas graves no desenvolvimento do corpo. Isso é muito perigoso e preocupante. Temos uma geração de crianças mais sedentárias, com sobrepeso e reclusas em seus mundos virtuais. Precisamos mudar este quadro e logo.
Entre as causas mais comuns de enfermidade pelo uso de tecnologia estão:
·         Torcicolo, rigidez na nuca, ombros e face;
·         Inchaço e dormência nos dedos da mão devido digitação excessiva e repetitiva;
·         Dor nos ombros e costas por má postura;
·         Dores de cabeça – uso abuso de leitura na tela do computador, celular e tablets (o mesmo vale para os pequenos que ficam expostos durante horas assistindo vídeos e imagens;
·         Irritação e ansiedade por saber que vão ter que ficar longe dos aparelhos por algumas horas;
·         Problemas de visão e audição;
·         Problemas e ou distúrbios alimentares ocasionados pela ansiedade, sedentarismo e má qualidade de vida;
·         Sobrepeso e inchaço pela falta de atividades físicas e movimentação circular do sangue nas pernas.

Opinião de especialistas:
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM), a sensação de prazer e dependência de quem usa em excesso esses recursos para aliviar a tensão, divertir-se ou mesmo que não consegue se desconectar por vários motivos pode assemelhar-se aos efeitos de drogas químicas, como o álcool e a cocaína. O que muda é a dependência comportamental, já as drogas são químicas. Por isso devemos limitar e monitorar nossas crianças e jovens para evitar males mais crônicos.
Não existe idade ideal para a iniciação tecnológica da criança. Quanto mais tarde pudermos apresentar, melhor será. Especialistas indicam o uso após os dois anos de idade e, ainda sim, com monitoramento dos pais. Reflita, não é raro vermos crianças menores de cinco anos dominarem celulares, tablets e plataformas de interação virtual antes mesmo de aprenderem a andar ou colocar sozinho os próprios calçados. Parece fofo ver o bebê ou a criança deslizar o dedinho na tela, entrar em vídeos tutoriais de brinquedos, jogos e tantos outros temas, mas não é. A influência de cada um destes mecanismos pode ser catastrófica do ponto de vista comportamental e pode até pular etapas fundamentais para o desenvolvimento da criança em vários aspectos.
Uma pesquisa realizada pela AVG Tecnologies, da qual entrevistou mais de 6 mil mães em 10 países, incluindo o Brasil, revelou que cerca de 62% de crianças entre 3 e 5 anos sabem ligar o computador e 66% delas já jogam nele. Ainda, 47% sabem usar smartphones e 57% utilizam pelo menos um aplicativo no celular. No Brasil, cerca de 97% das crianças entre 6 e 9 anos usam a internet para diversos fins e possuem contas em redes sociais (no Brasil cerca de 54%). Deste percentual, cerca de 7% ficam conectadas por até 10 horas diárias, mas maioria dedica cerca de 5 horas diárias no mundo virtual.

Como dosar e evitar uso excessivo:
Sabemos que hoje, existem muitos argumentos que fazem com que nós pais e mães venhamos a ceder para o uso da tecnologia. Alguns dirão que é bom para o desenvolvimento cognitivo (relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio), outros para que a criança não fique atrasada em relação aos demais de sua idade e até àqueles que defendem a ideia de ser uma oportunidade de profissão futura. Independente das razões, o ideal é limitar o uso para cada faixa etária, evitando o excesso e futuros problemas.
Lembre-se: praticar atividades físicas, socializar no parquinho (público, do prédio ou da escola) é muito importante para criar laços, amizades, mostrar as diferenças e outras realidades além do mundo virtual e do ambiente de casa. O mais importante é permitir que a criança seja criança e interaja com o mundo por meio de recursos naturais, dependendo o mínimo possível de tecnologia enquanto puder.

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Sobre Dra. Priscila Zanotti Stagliorio
É médica pediatra há mais de dez anos, atua na zona norte de São Paulo, em consultório particular, no Pronto Socorro do Hospital São Camilo – unidade Santana, e na rede Dr. Consulta – unidades Tucuruvi e Santana. Em seu currículo possui diversas participações em congressos, cursos de especialização e atuações em prontos socorros, clinicas e ambulatórios médicos da grande São Paulo – Capital. Oferece curso personalizado para gestantes e mamães com recém-nascidos, com o objetivo de ajudá-las na mais importante missão de suas vidas: ser mãe. Para solicitar informações sobre os cursos escreva para:  priscilazs@yahoo.com.br / dicasdepediatraemae@gmail.com / contato@jcgcomunicacao.com - coloque no assunto a informação que deseja saber e ou solicitar. O consultório está localizado na Av. Leôncio de Magalhães, 395, Santana- SP / 11- 2977-8697.

Colaboração textual:
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