Terror Noturno e as suas causas

Terror Noturno e as suas causas
Quando a criança acorda aos gritos e os pais não conseguem acordá-la, possivelmente trata-se de uma crise

Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

Já recebi em meu consultório alguns relatos de mães e pais que viveram situações de medo e até sofrimento com seus filhos no meio da noite, que os acordaram com gritos, choro constante e até com atitudes hostis. Calma, não é nada anormal, ligado a espíritos e ou coisas sem entendimento. Trata-se de crises de parassonia, conhecida também como “terror noturno”, do qual a criança não tem consciência plena do que está fazendo (por estar ainda dormindo) e pode agir de maneira estranha, transpirar profundamente, apresentar batimentos cardíacos e respiração mais exaltados. Também, pode sentar na cama, começar a gritar ou mesmo bater, ficar inconsolável com os olhos dilatados (porém ainda em estado de dormência), sair da cama e correr pela casa em desespero.
Assim como no sonambulismo, geralmente, a criança não tem nenhuma lembrança do que aconteceu com ela durante a noite, na manhã seguinte. Seus pais sim e temem que novos episódios desses ocorram e ficam sem saber o que fazer. Geralmente acontece na primeira metade do sono (ainda no início do sono) e não é algo para causar grandes preocupações. O terror noturno pode ocorrer em crianças entre 3 e 12 anos de idade, não são frequentes e a incidência é igual para meninas e meninos.
A explicação, segundo pesquisas médicas e cientificas, é que talvez haja um tipo de despertador parcial do sono, no qual a criança parece acordada (por falar e se movimentar), mas ainda está em estado de dormência (inconsciente e sem saber o que está fazendo). Existem casos de crianças que vivenciam as crises de “terror noturno” uma ou mais vezes por mês, até semanalmente. Outros familiares também podem sofrer do mesmo mal, mas não se trata de uma doença mental e as crises acabam ainda na adolescência. Mesmo assim os pais que presenciam tais crises, de fato, ficam assustados pela intensidade de algumas delas, ficando temerosos sobre novos possíveis episódios.

SINTOMAS E FATORES QUE PROMOVEM O TERROR NOTURNO
Existem muitos fatores que propiciam as crises de ‘terror noturno” e são possíveis de identificar como, por exemplo, dormir em ambientes não familiares, situações de febre, estresse, cansaço, privação do sono (demora muito para dormir), barulho e iluminação em excesso ou escuridão (para crianças que tem medo). Também há casos de problemas de saúde associados que interferem na qualidade do sono e provocam o distúrbio como enxaqueca, medicações (efeitos colaterais – neste caso avise o médico imediatamente), apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e trauma de crânio (batida).
O ambiente familiar é muito importante para que a criança se sinta segura, amada e protegida de possíveis medos. Também, sintomas como sonolência diurna, dificuldade em atividades regulares, falta de atenção na escola e até nota baixas podem ser sinais de possíveis crises e ou as causas delas.

COMO TRATAR OU SABER LIDAR:
As crises de “terror noturno” podem acontecer de uma hora para outra, com ou sem precedentes (episódios anteriores). Quando acontece, pega a todos de surpresa e, em muitos momentos, ficamos sem saber o que fazer.
Felizmente, não é uma doença e tão pouco precisa de tratamento. Em geral, manter o quarto ou o ambiente em que a criança dorme em um local seguro, aconchegante e harmonioso para ela, fará com que se sinta mais tranquila (inconscientemente) evitando uma futura crise. No entanto, se a criança apresentar repetidas séries e ou atitudes mais graves que a colocam em risco e seus familiares, vale a pena procurar um (a) médico (a) especialista para receber melhor orientação.
Rotineiramente confundido com pesadelos, o “terror noturno” não é igual a ter sonhos ruins. Como disse, a criança que sofre deste mal, não acorda e não fica consciente durante a crise, mesmo que fale e gesticule. Já nos episódios de pesadelos, a criança acorda, conta o que sonhou (mesmo que chorando), muitas vezes em detalhes, e esses episódios costumam acontecer na segunda metade do sono (quando inicia o estágio do sono dos sonhos). Da mesma maneira, não se pode confundir com o despertar confusional, em que a criança acorda e apresenta confusão mental enquanto está na cama, mas não sente medo, terror, taquicardia, suor ou vontade de sair da cama em desespero.
Em episódios de “terror noturno” o melhor a se fazer é tentar acalmar a criança (mesmo que ela não aceite e entenda), falar calmamente com ela e esperar. Gritar, entrar em pânico (junto com ela) e ou sacudir a criança não é indicado, pois pode piorar a crise e eventualmente machucar.

DICAS IMPORTANTES:
Manter uma rotina regular e com qualidade para a criança é fundamental. A alimentação deve ser balanceada, se possível manter atividades físicas diariamente (indicadas para cada faixa etária) – que ajuda a controlar a ansiedade e o estresse, dormir cedo e dentro de um determinado horário todos os dias para acostumar o corpo e a mente de que chegou o momento de descansar, além de evitar eletrônicos no quarto como televisão, celulares, computadores, tablets e games.

Sobre Dra. Priscila Zanotti Stagliorioé médica pediatra há mais de dez anos, atua na zona norte de São Paulo, em consultório particular, no Pronto Socorro do Hospital São Camilo – unidade Santana, e na rede Dr. Consulta – unidades Tucuruvi e Santana. Em seu currículo possui diversas participações em congressos, cursos de especialização e atuações em prontos socorros, clinicas e ambulatórios médicos da grande São Paulo – Capital. Oferece curso personalizado para gestantes, com o objetivo de ajuda-las na mais importante missão de suas vidas: ser mãe. Para agendar consulta e ou solicitar informações sobre o curso de gestante:  priscilazs@yahoo.com.br / contato@jcgcomunicacao.com - coloque no assunto a informação que deseja saber e ou solicitar.
Revisão Texto: Agência Informação Escrita / Agência JCG Comunicação e MKT
Jornalista Carina Gonçalves
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